Mulheres Girafa
, / 1945 0

Mulheres Girafa

SHARE
Mulheres Girafa

Eu confesso que tinha muita curiosidade de ver de perto essas mulheres. Sentia pena por elas usarem algo tão pesado e por serem refugiadas do Myanmar. Mas uma dúvida martelava a minha cabeça: pagar para entrar na vila seria ajudar as pessoas ou contribuir para o zoológico humano que a Tailândia criou? O dinheiro da entrada vai para essas famílias?

Fui e paguei para ver e saí de lá com as mesmas dúvidas. Mas gostei do contato com 2 delas. Fiquei com vergonha de sair fotografando geral e não comprar o artesanato delas. Como já disse em outros posts, compras não é o propósito da viagem e lá também seria mais caro que nos mercados de rua.

A primeira delas, estava fazendo tecido no seu tear e viu que eu fiquei olhando e ela me chamou para fotografar com ela e me colocou o aro para tirarmos a foto. O que coloquei não são vários aros, é um grande que vai dando voltas, mas bem pesado! Mas não estava apertado. Eu perguntei se doía ela disse que não, perguntei o porque, e ela respondeu tradição. Minha mãe usava, minha avó e assim tem que ser. Mas que hoje em dia, as crianças não usam mais. A tradição está desaparecendo. Compramos uma carteirinha dela por 100 Bahts. Ela nos mostrou os lenços por 200 Bahts, disse que demorava 3 dias para fazer.

DSC08149 DSC08146

Demos mais uma volta e tiramos algumas fotos das casas, que são bem simples, de bambu e com telhado lindo de folhas. São geralmente todas mais “altas”, não são construídas no chão. Não havia muito turista, diria bem menos de 20. Vimos uma “escola” e as crianças estavam estudando inglês em pleno sábado. Tem também uma igrejinha católica de São Nicolas. Gostamos de passear na plantação, estava um dia bem bonito!

IMG_0726 IMG_0725 IMG_0714

O sr Supan nos levou até lá, mas tem agencias que organizam o passeio combinado com outros como rafting e elefante. Gostamos da ideia de ir sem o tour. Se você quiser somente visitar a vila, não é preciso comprar o tour. O tuk tuk pode te levar até lá, negocie bastante, nós pagamos 200 Bahts, mas dá pra ser mais barato, é que gostamos do sr Supan, ele foi tão educado, tão gentil e sempre sorridente, é bem melhor estar acompanhada de pessoas assim! O ingresso custa 500 Bahts por pessoa (USD 16), como miserável que sou, confesso que achei caro, mas tentei me convencer que estava ajudando a essas famílias que vivem ali.

Eles te entregam um mapa e um folheto com explicações das diferentes etnias que estão na vila, todos vão pelas mulheres girafa, mas há várias famílias de outras etnias, todas refugiadas do Myanmar, fugiram dos conflitos e da fome.

DSC08150

As mulheres-girafa ou long neck em inglês fazem parte da etnia dos Padaung (tribo indígena das regiões montanhosas do Myanmar e norte da Tailândia, também conhecidos como Kayan ou Karen), são bem simpáticas e pelo que vimos tem muitos filhos. O que descobrimos sobre elas: Elas começaram a usar argolas no pescoço após completarem cinco anos de idade, quando é posto o primeiro aro. À medida que crescem, as meninas vão tendo seus aros trocados por outros maiores, até atingirem 18 anos. É bom saber que não é o pescoço que cresce como muitos pensam, mas são os ombros que descem, pois a clavícula cede com o peso dos aros. De modo que, quatro vértebras torácicas passam a fazer parte da estrutura do pescoço. Existem algumas interpretações para tal costume, são lendas, não sabemos a verdade, já que elas respondem sempre a mesma coisa: tradição:

  • os aros eram usados pelas camponesas como uma proteção contra os tigres que atacavam primeiro a garganta para beberem o sangue;
  • as mulheres adúlteras usavam os colares como castigo, antigamente;
  • para que suas mulheres não fossem raptadas, os homens tornavam-nas feia usando aros nos pescoços;
  • para os padaungs (principal tribo de mulheres-girafas) o centro da alma localiza-se no pescoço. Os aros protegem a alma e a identidade da tribo.

DSC08151

Antigamente eram aros de ouro, mas hoje são de cobre.

Essa tradição vai mesmo acabar? Aqui, sabemos que elas estão colocando os aros no pescoço apenas para ganhar dinheiro, a noite elas devem tirar esse peso, mas e no Myanmar, nas verdadeiras aldeias? É justo ter essa deformação no corpo? Somente por tradição.

Eu espero ter contribuído de alguma forma, o que me entristece é que a Tailândia não dá visto de permanência para essas etnias. Mas as mantém em “cativeiro” para ganhar dinheiro com a entrada e em troca, oferecem casa, energia e saneamento básico, lugar para plantar o arroz e vender seu artesanato. Essa troca é justa?

Eles parecem felizes, eu realmente espero que eles sejam.

Related Article